Há muitos anos encontrei um RPG de criação de MRGallo e que cheguei a jogar algumas campanhas. Esse era o Verso12, um RPG ficção científica que se passa a centenas de séculos no futuro, após um holocausto de proporções galácticas e com criaturas com capacidades além do espectro possível. Semideuses? Mutantes? Sua origem está envolta em tantos mistérios quanto os chamados Antigos…

O Jogo
Mestres Quin ‘rai é um universo criado para ser utilizado como um sistema de narrativa para GURPS. Passa-se numa época longínqua (passado ou futuro?), onde um sistema planetário é o palco de conflitos entre espécies diferentes, e onde viajar numa nave espacial seria o mesmo que embarcar num navio no século XIV.
O jogo oferece diversas possibilidades a serem exploradas em termos de histórias, além de permitir que a aventura se desenrole de acordo com o estilo do Narrador. Um jogo ao melhor estilo matar-mutilar-destruir é possível; assim como tramas envolvendo conspirações e discussões sérias a respeito do tema do Poder. Mas o mote básico de Mestres Quin ‘rai é a questão dos limites. Até quando uma população oprimida pode suportar uma ditadura? Ou uma guerra santa? Qual o ponto que define sua explosão? Qual o limite de poder que um personagem pode ter no jogo? Quais limites podem ser rompidos e quais as consequências destes atos são questionamentos constantes levantados por Mestres Quin ‘rai.
Se você não pretende narrar, mesmo assim, é interessante se familiarizar com o universo, uma vez que quanto mais informações você obtiver de maneira lícita, melhor será seu personagem.
O Sistema
Esse é o nome dado ao conglomerado de 10 satélites e um planeta que giram em torno de um gigantesco Sol azul, próximo ao núcleo da galáxia. O Sistema tem como principal planeta o Gigante gasoso Altor, seguido por dez satélites, onde seus habitantes vivem. Estes habitantes, dezenas de bilhões, tornam esses mundos tão grandes e opressores que o individualismo torna-se um conceito obsoleto e vulgar. Seis espécies de diferentes culturas e comportamentos convivem num delicado equilíbrio.
Os humanos, que se especializaram geneticamente de acordo com os seus planetas de origem, Entor, conhecido como o planeta luz e Nultor, o planeta trevas.
Os irtani, respiradores de hidrogênio e metanol sem forma física definida, nativos do planeta principal do Sistema, Altor, um gigantesco corpo gasoso onde os outros planetas orbitam.
Os criomnianos, na realidade uma ordem de diversas espécies de insetos que se espalharam pelos planetas, em especial Criomn, seu planeta natal.
Os abiontes, filhos do silício, da informação digital, dos dados, cujas bases de informação se localizam em Retromnia, o único satélite retrógrado do Sistema.
Os graiares, cuja base vital é silicata, e não carbônica, que compartilham de uma estranha simbiose com seu planeta, Graios.
Os reptilons, protorrépteis de sangue quente que vivem nos planetas congelados, Trios e Trs´sar.
E ainda há mais. Organus, um planeta que é um ser vivo, venenoso e hostil. Naves espaciais do tamanho de cidades flutuam numa atmosfera de gases explosivos. Uma máquina do tamanho de um planeta orbita o lado sombrio do Sistema, vomitando gases incandescentes. O Sistema é uma profusão de conceitos tão diferentes entre si que superam o paradoxo.
Mestres do Poder
Dentre estes conceitos flutua um que é a principal causa de discordâncias, seja entre as espécies ou em uma espécie: a religião. Por sua fé, os humanos mantém uma guerra santa que já dizimou mais pessoas que a pior praga que já assolou seus planetas. Criomnianos devoram seus adversários. Os retromnianos apenas observam e armazenam dados. Cada espécie tem pelo menos uma grande crença, que é completamente diferente e às vezes, incompreensível a outra espécie. E as guerras vêm seguindo o rastro da ignorância e da intolerância.
Os habitantes deste Sistema chegaram à conclusão que são espécies que foram implantadas nos planetas há pelo menos 10 mil anos pelos seus próprios ancestrais, também chamados de Antigos. As provas disso são imensas máquinas, encontradas (ou sempre existentes) em locais obscuros do Sistema. Como o Obelisco de Altor, o planeta Nultor e a própria espécie abionte, que com certeza foi gerada artificialmente.
Nesse estranho lugar, existem seres que superaram as capacidades normais de suas espécies. Não uma ou duas vezes, mas dezenas de vezes. Com o poder de um único pensamento podem destruir uma espaçonave com centenas de vidas. Com um gesto podem curar uma cidade inteira de uma praga. Esses seres receberam nomenclaturas em todas as línguas do Sistema: Medroquiors, Az´ra´tis, Zequionides. Mas na língua principal são conhecidos por um título pomposo, porém eficaz: Mestres Quin ‘rai.
E suma: o que seu personagem faria com uma quantidade fabulosa de poder nas mãos e nada para controlá-lo?