
Saudações sobreviventes da ZBC! Aproveitando um plantão de 36 horas que tive recentemente, iniciei a leitura de um livro de RPG onde existem desertos e muitos insetos. Não prestei muita atenção no momento, era um mundo bem legal e foquei-me na ambientação, até que eu li a descrição de um NPC, no caso, sobre um Rei-feiticeiro!
Naquela miríade de números, um pensamento invadiu minha mente: Você realmente tem que ser tão complicado? Isso deveria ser mais fácil! Não que o sistema fosse muito confuso, existem outros sistemas mais complexos, por exemplo, MERP / Rolemaster: Como diabos eu vou usar esse NPCs, quando ele tem cerca de 4000 magias ao seu dispor, divididos em 300 listas separadas? E não termina por aí, lembram de RuneQuest? Não sei como vocês fazem, mas na época em que narrava, escolhia apenas uma ou outra magia e o resto eu inventava…
Em minha opinião, ocorre um problema duplo:
A ilusão das opções: Em teoria, um personagem poderoso possui uma lista enorme de habilidades e poderes. Na prática, você acaba usando seis ou sete dessas habilidades. Não passa de ilusão de complexidade e de liberdade, quando na verdade é simples. Você usa todos os poderes de seu personagem de 20º nível? Quando você narra, você está utilizando todo o poder do Rei-feiticeiro? Ou o poder de Gandalf? Não…
Os PC’s e os NPC’s usam as mesmas regras: Na maioria dos RPGs, os personagens estão acumulando poderes de forma muito lenta, assim os jogadores gradualmente usam o melhor do arsenal do personagem e quando as opções são grandes, os jogadores, mais uma vez, tendem a usar seis ou sete habilidades. Agora, quando o narrador é surpreendido pela idéia, um pouco insana, do jogador em ir até os espíritos primordiais para enfrentá-los, aí sim, o mesmo não tem como escolher a melhor opção de poderes e ao mesmo tempo listar todos os poderes mentalmente; o narrador então está perdido!
Nesse caso, o que se pode fazer é sair para o sistema narrativo, ignorando as habilidades e apenas descrevendo o poder do NPC aos jogadores, por meio de sensações e descrições, e se mesmo assim os jogadores decidirem enfrentar o Rei-feiticeiro; tenha em mente que você pode improvisar os poderes… Mas um alerta, não tenha pena dar uma morte trágica aos personagens, assim eles aprenderão que na próxima vez devem correr!
Até a próxima!
O problema é que os jogadores nunca, eu digo nunca pensam em recuar jamais, e quando os personagem morrem ficam putos com o pobre do narrador que tentou a todo custo avisa-los que era má idéia enfrentar o Rei-Feiticeiro!
Verdade!
Semana passada em minha mesa onde mestro supers, meus jogadores, quando viram-se encuralados por uma cidade infectada pelo virus do vampirismo resolveu recuar.