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Novo Universo Marvel

Escrito por Vigia em 10/25/2009

Em comemoração aos 25 anos da editora, a Marvel Comics lançou em 1986 seu selo Novo Universo. Com um conceito inovador para a época a editora lançava a proposta de heróis mais humanos, que envelheciam, tinham empregos e uma vida comum, dentro de uma proposta de realismo um tanto paradoxal ao conceito de super-herói com a cueca por cima da calça. Estavam fora da cronologia da Marvel e não eram influenciados pela linha tradicional, não tendo como temática seres mitológicos, deuses ou invasões alienígenas como pano de fundo.

De fato, o selo durou apenas três anos, tendo títulos muito bons como: Stigma, P.N.7, Mascará Noturna, Trovão, Força Psi, Justice, entre outros não tão bons. Seguindo essa cara inovadora estes títulos  apresentavam nomes como John Romita Jr. (Eternos), Jim Shooter (Legião dos Super Hérois), Mark Teixeira (Motoqueiro Fantasma), Todd Mcfarlane (Spaw), Archie Goodwin (Wolverine & Nick Fury) e Peter David (X-Factor).

O mundo tinha como base a nossa realidade com exceção de um misterioso acontecimento, o “Evento Branco”, um clarão vislumbrado em todo globo terrestre e que em tese desencadeou o surgimento da quase totalidade de “paranormais” do planeta.

O carro chefe deste título o herói Stigma após o encerramento da série teve suas histórias continuadas e finalizada sua saga pelo escritor e desenhista John Byrne no inicio dos anos 90. Justice chegou a fazer aparições no Universo 2099, assim como outros heróis fizeram aparições discretas em toda linha Marvel.

Em 2006 o Novo Universo Marvel sofreu uma releitura em um arco de histórias escritas por Warren Ellis (The Autorithy). Outra referência moderna é que  logo após o término da saga Dinastia-M, os mutantes Exiliados tentando se salvar dos efeitos deste evento e na captura do vilão Protheus mergulharam no Multiverso, caindo de cabeça em um crossover com os super-heróis desta dimensão paralela.

Mesmo sob as criticas de plágio da época e a pouca popularidade  alcançada por este selo, não ofuscam a impressão que algumas de suas idéias inspiraram de forma direta ou indireta nos quadrinhos e além deles, mesmo séries de TV como Heroes (1ª temporada) demonstra uma grande influência.

Falando mais sobre o Novo Universo Marvel em especifico de três de seus títulos publicados em meados de 80 e início de 90, Stigma, Justice e Mascara Noturna que consequentemente foram escolhidos por Warren Ellis para seu arco de histórias em 2006.

O Stigma “A Marca da Estrela”

O principal título da linha  clássica ilustrado por John Romita Jr. (X-Men, Homem-Aranha, Eternos) e escrito por Jin Shooter (Legião dos Super-Heróis), Stigma contava as aventuras do mecânico Kenneth Connor que ao ser abordado por alienigena é alertado de que há uma guerra no outro lado da galáxia, e então lhe é entregue a “arma” que poderia desequilibrar essa disputa.

Essa arma se trata de uma tatuagem em forma de estrela que pode ser transferido para qualquer ser vivo racional, nunca para um objeto inanimado. Esta lhe confere entre outras coisas poderes como vôo, super força, invulnerabilidade e rajadas de energia, desde que ele acreditasse que é capaz de fazer isso. Por isso surgiram na época críticas quanto a um  possível plágio ao Laterna Verde.

O alienigena aparentemente morto após a transferencia do stigma, reapareceria muitas vezes depois para recuperar sua “arma”, sem sucesso. Kenneth se via a maior parte do tempo tentando descobrir a verdade em um emaranhado de mentiras em torno do stigma criadas pelo suposto alien, nomeado posteriormente de “velho” ou “ancião” quando se apresntou em sua forma humana. Isso quando não estava enrolado em sua própria vida pessoal, em um relacionamento conturbado com Barbie uma mãe solteira, um caso amoroso com uma amiga “Patinha”, mensão ao patinho feio, isso fora ser perseguido pela KGB, CIA e combater terrorismo em solo estadunindense e no oriente médio.

Já argumentizado e desenhado por John Byrne (X-men, Quarteto Fantástico, Capitão América) em meio a crise de conciliar a pressão que vêm sofrendo Connor decide se livrar do stigma, alça vôo quilômetros acima da cidade de Pittsburgh e transfere a marca para um altêres, mas a energia liberada acaba por destruir toda a cidade abaixo. Este incidente transformaria definitivamente o cenário dos E.U.A., pois da cratéra resultante emergem várias criaturas inumanas, pessoas a quilômetros irradiadas pela energia ganham super-poderes. O super-seres até então desconhecidos tornam-se de conhecimento público.

Byrne viaja legal em sua trama, descobrimos entre outras coisas que a marca torna seu dono literalmente imortal, pois  Connor elouquecido ressucita assim como todos os outros portadores da marca, enquanto isso a Patinha morre ao dar a luz a um filho dele, gerado em poucos dias e com uma consciência elevadissíma. A criança Stigma não só destrói novamente seu pai, como transmite parte de seu poder para um médico russo que passa tentar reduzir os danos causados no mundo enquanto ele parte ao espaço para descifrar o enigma por trás da arma.

Ao final da história o autor revela que o no século XVIII o ancião foi atingido por um raio que lhe coferiu a marca e após uma longa vida no século XX o mesmo resolve se livrar dela transferindo seu poder para um asteróide que acaba explodindo, o clarão visto da Terra no “Evento Branco” é o resultado dela. Mas a maior parte da energia é enviada de volta no tempo e atinge o próprio Ancião, ou seja, “o stigma criou o próprio stigma”.

Com essa resposta esdruxula sobre a origem do poder, todos os portadores do stigma resolvem unir-se em um único ser e trancar para sempre o poder antes que ele destrua o continuum tempo. Pois segundo hipótese  Connor, seu filho e o Ancião são na verdade versões da mesma pessoa devido ao caos provocado no espaço/tempo, pois “o neto nascerá antes do avô”.

Apesar do desfeicho pouco convincente tanto o primeiro e o segundo arco de estórias do Stigma são muito bem feitos, inovadores para a época sendo  referência para outros títulos até hoje, como o herói Dr. Espectro do selo Marvel MAX entre outra influências.

Máscara Noturna & Justice

Não confundam este com o personagem homônimo de José Sales, públicado a partir de 2005, em que o policial Rick Lee é amaldiçoado a matar uma pessoa por dia ou do contrário ele mesmo é consumido pelo “Fogo de Kaya”, tornando-se assim em um violento vigilante. O Máscara Noturna do Novo Universo foi escrito por Keith Giffen (a mini-série Drax o Destruidor e The Authority) e arte de nomes como Ernie Colon (Dredstar),  Mark Bagley (Homem-Aranha) e Tony de Zuniga (Conan: O Bárbaro). No primeiro número o jovem Keith Remsen está em coma em um hospital e é milagrosamente desperto pelo Evento Branco, mas sua realidade mudou completamente, ele e a irmã sobreviveram a um misterioso atentado durante seu embarque em um aeroporto.

Seus pais morreram na explosão e sua irmã Teddy está paraplégica, no entanto diante desta cruel realidade Keith descobre que agora ao adormecer é capaz de penetrar nos sonhos das outras pessoas e pode interagir com elas em aventuras no mundo onírico e Teddy funciona como sua áncora com o mundo material.

Em resumo o personagem não foi bem aproveitado, tendo ocilações entre enredos ótimos e mediocres. No geral ele tinha uma atuação detetivesca em tentar desvendar mistérios no mundo real a partir de fragmentos simbólicos distorcidos nos sonhos que visitava. Algumas reviravoltas eram bem boladas e de fato o herói quase sempre não tinha a sua disposição maiores poderes no mundo onírico e necessitava do apoio do sonhador alvo.  Essa impotência era compessada por sua inteligencia e sagacidade.

Por sua vez o anti-herói Justice inicia seu primeiro arco de histórias amnético, tendo visões de um mundo alienigena, onde tecnologia e magia são um almágama e toda sorte de monstros malignos ameaçam a paz. Desorientado ele é guiado apenas por seu falho julgamento de bem e do mal, perseguido por  toda sorte de criaturas. Justice é capaz de ler a aura de qualquer pessoa e descifrar se o indivíduo é inoscente ou culpado, mas isso é passível de interpretações errôneas e este é seu drama cotidiano em sua jornada como justiceiro. Além disso ele pode erguer um pequeno escudo de força com o braço direito “o escudo” e com a mão esquerda pode lançar poderosas rajadas de energia “a espada”.

Justice foi um dos títulos de maior aceitação do Novo Universo, certamente o mais violento e sombrio de todos, após o fim do selo suas aventuras foram continuadas até a edição 32, onde ele enfrentava  principalmente a corrupção envolvendo políticos americanos e seitas malignas. Além disso ele fez aparições no também extinto Universo 2099 da Marvel Comics, nas aventuras dos X-Men, como testemunha viva dos fatos do passado.

Justice e Máscara Noturan chegaram a ter um crossover, onde Ransen teve de se mostrar digno para não ser friamente executado. Por fim, sem dúvida estes são dois bons exemplos de boas idéias, originalidade e vanguarda apresentados para a época, mas que infelizmente não foram bem aceitos  pelo público em geral e não se consolidaram até hoje no mercado.

Força PSI

Com argumento de Danny Fingeroth (roterista e durante muitos anos editor chefe do Hormem-Aranha) e Arte do então desconhecido Mark Teixeira (Motoqueiro-Fantasma) a Força PSI não se encaixa no padrão das super-equipes teens como os Novos Mutantes ou Titãs, muito pelo contrário não eram motivados pelo heroísmo de sair dando pancada em vilões e detendo ameaças a segurança pública. Seus dois únicos objetivos eram passar pela adolescência e sobreviver.

Em resumo o ex-agente da CIA Emmett Proudhawk reuniu informações a cerca de jovens que manifestaram poderes psíquicos não só em território americano como no exterior e a encrenca começa porque estes arquivos acabam vazando e caem em mãos estrangeiras. Um a um os psis vão sendo assassinados e quando Proudhawk se dá conta do que está ocorrendo trata de reunir os demais remanescentes da lista que são: o rebelde sem causa Wayne Tucker (telepatia), Tyrone Jessup (Corpo Astral), Kathy Ling (telecinese), Michael Crawley (psicocinese) e a esilada russa Anastasia Inyushin (cura).

Logo na primeira edição enquanto resgatam a Anastasia das mãos de agentes da KGB Proudhawk acaba sendo baleado e morto, mas os cinco reunem suas forças e a partir de suas impressões psíquicas conjuram o “Falcão PSI”, precurssor do Capitão Planeta (desenho animado dos anos 90) no melhor estilo do “pela união dos seus poderes…”

Para piorar o Falcão PSI imprime um elo mental que obriga os garotos a se manterem unidos, ou seja, em termos  RPGísticos  essa é uma estratégia bem sacana do Mestre para  manipular os jogadores e obrigá-los a  conviver juntos. A trupe passa a residir em um centro de amparo a menores chamado “Santuário”, vivendo o antagonismo de voltar para casa e expor entes queridos a ameaças da CIA ou KGB, namoros, rejeições, espinhas etc., mas com o passar das histórias caem na estrada percorrendo o país.

O grupo era uma verdadeira salada étinica (novamente uma semelhança com o Capitão Planeta) mesmo antes da expressão do “politicamente correta” demonstrava ser o menos preconceituosa possível.  O mentor póstumo do grupo Proudhawk era descendente dos  estadunidenses nativos, ou seja, “peles vermelhas” e é carregado de uma mítica xamânica que explica a existência do Falcão PSI fazendo referência a espírito de um tóten.

A série durou 32 edições e destas apenas 12 chegaram ao Brasil na época, mas suas histórias tiveram certa continuidade na saga dos Exiliados (selo X-Men) onde apareceram recentemente.

Agora em uma roupagem atual a Marvel (intencionalmente ou não) fez uma releitura da Força PSI ao lançar o título “Fugitivos”,  usando a velha receita do grupo de adolescentes já meio batida e reaproveitando vários dos preceitos da antiga galera.  Em um cenário mais “realista”  a maior diculdade dos jovens é sobreviver no mundo adulto, neste caso, especialmente quando seus pais são na verdade super-vilões (!!!).

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