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História de Yawgmoth (Vol. I)

Escrito por Alieksiei Karamázov em 01/06/2012

O Pai das Máquinas. O Inefável. O Lorde das Trevas. O Oculto. O Senhor dos Ermos. Quase toda cultura de Dominária tem um nome para ele. Os benalianos acreditam que ele é um monstro inumano com a habilidade de inflamar campos com o olhar. Os mercadianos o reverenciam como um senhor benevolente. Os escolásticos de Nova Argive pesquisaram seu nome como o de qualquer outro mito. Os Ru-noranos o temem como uma ameaça sombria de seu passado. Ele é todas essas coisas. Ele é mais. Nada foi mais temido na história do plano de Dominária do que ele. Nações tremem a seu verdadeiro nome. E seu medo é justificado, uma vez que ele é Yawgmoth.

O deus de Phyrexia nasceu como um mero homem mortal durante o reinado dos Thran, o mais avançado povo de Dominária. Por volta de 2000 a 5000 anos antes do nascimento do planinauta Urza, Yawgmoth devotou sua vida a curar o corpo humano de qualquer modo que pudesse. Yawgmoth acreditava que o corpo humano era um intrigado construto orgânico, cada doença ou defeito físico era causado por bactérias ou vírus, e não espíritos malignos. Entretanto, sua genialidade veio junto de uma insaciável sede por poder e da crença de que ele sozinho deveria conquistar tudo. As ideias de cura de Yawgmoth eram tão revolucionárias que o levaram a ser exilado pelo Império Thran. O império jamais se recuperaria de sua decisão. Nesse dia eles conheceram a ira de Yawgmoth.

Yawgmoth vagou pela terra espalhando sua visão onde quer que fosse. Sua jornada o levou para o longínquo reino dos anões das Profundezas de Oryn e lá ele infectou os anões com uma praga vil. Após fugir do reino, a nova jornada de Yawgmoth o levou para o continente florestal de Argoth, onde ele manteve a sacerdotisa élfica Elyssendril Lademmdrith e sua comitiva cativa. Yawgmoth infectou os elfos com um vírus mortal e pediu resgate pela cura. Após o resgate ser pago, Yawgmoth silenciosamente deixou Argoth em miséria. Depois disso, o futuro deus libertou uma praga mortal sobre os minotauros de Talruuan apenas para observar maravilhado seus efeitos. Yawgmoth então viajou para Jamuraa, onde infectou totalmente a classe dominante de uma tribo de gatos guerreiros com uma variante mortal da raiva. Ele então envenenou as tribos humanas de Gulatto Meisha apenas por capricho. Sua próxima vítima foi o Bey Viashino (o chefe dos viashinos), que foi encontrado dissecado após aceitar o curandeiro em sua casa.

Essas atrocidades não eram nada. Sua vingança contra os Thran era tudo o que importava. Chegaram aos ouvidos de Yawgmoth de que o gênio Glacian, um dos culpados por seu exílio, estava morrendo devido a uma doença que nenhum curandeiro pôde identificar. Aparentemente, um homem doente empunhando um cristal havia atacado Glacian em seu laboratório. Yawgmoth percebeu que seu banimento seria revogado se ele descobrisse a causa da doença e a curasse. Ele sorriu e dirigiu-se para a metrópole Thran de Halcyon.

Yawgmoth chegou a Halcyon como um mendigo, com sujeira em seu manto esfarrapado como se fosse um estranho aos Thran. Ele sairia como um ancião. Ele sairia como um monarca. Ele sairia como uma divindade. Nos portões de Halcyon estava Rebbec, arquiteta chefe dos Thran e esposa do doente inventor. Rebbec recebeu Yawgmoth como uma serpente em seus seios. Quase que imediatamente, Yawgmoth apaixonou-se pela bela arquiteta. Ele estava ligeiramente menos impressionado pela cidade que ela havia construído. Halcyon não era apenas uma próspera metrópole, era muito mais que isso. A cidade inteira era energizada por uma revolucionária nova invenção conhecida como powerstones (pedras do poder). Essas powerstones, uma vez carregadas, permaneciam eternamente funcionando. Yawgmoth descobriu que antes de Glacian ficar doente ele estava trabalhando na descoberta dessas powerstones.

“Fique comigo, ‘ você disse, e toda essa cidade será sua’. Eu estou ficando com você.”

Os dois foram para o leito de Glacian, encontrando o gênio bastante agradecido pela oportunidade de ser curado pelo homem que ele havia exilado tampo tempo atrás. Entretanto, Yawgmoth não devia ficar consternado. Ele encontraria a cura, não importando o custo. A vida de Glacian não importava nada para ele. Ele encontraria a cura para poder ficar sobre as cabeças da população Thran que se curvariam ante ele.

Yawgmoth aprendeu que a doença, que ele chamava de phthisis, estava agindo com mais fúria sobre as Cavernas dos Condenados. Essas cavernas, que ficavam sob Halcyon, eram as antigas prisões dos fora-da-lei de Thran. Com o passar dos anos, entretanto, os reclusos haviam dado a luz a novas gerações que não eram culpados de crime algum que não fosse ser nascidos de ancestrais reclusos. Yawgmoth viajou até as traiçoeiras cavernas para observar certo caso.

O revolucionário maldito que havia atacado Glacian havia feito isso com uma powerstone falha, construída imperfeitamente por suas mãos pouco capazes. O homem, aparentemente, havia morrido por uma doença, talvez a mesma doença que atingia o gênio Thran. Depois de Yawgmoth ganhar o respeito dos Malditos, assassinando um de seus guerreiros, um pequeno garoto o guiou para a Caverna da Quarentena, onde estava a forma doente de Gix, ele mesmo um memorável nome na história de Dominária e Phyrexia.

“Não te importa mais quem sou eu – soldado ou curandeiro. Importa apenas que eu voltei minhas atenções para outra pessoa. Você se importa se eu planejo matar o homem? Importe-se, ao invés disso, se eu vou matar você antes.”

Yawgmoth levou Gix das Cavernas dos Condenados para a enfermaria de Glacian. Ele observou que ambos eram afligidos pela phthisis, e ambos respondiam negativamente ao contato direto com as powerstones. No entanto, essas observações teriam que esperar pelo dia da grande inauguração do Templo Thran, um imenso castelo flutuador, projetado pela própria Rebbec. O Templo Thran foi um tremendo sucesso, mas enfraqueceu a humildade da população Thran. Por tentar elevar-se ao patamar de divindades, os Thran ficaram desprotegidos de figuras sombrias que usaram esse recém-descoberto poder para seus próprios propósitos. E se a história nos mostrou algo, é que não existe figura mais sombria do que Yawgmoth.

Meses depois Yawgmoth conseguiu decifrar a causa da doença. Phthisis era causada pelo contato direto com as powerstones. Com o tempo, as perigosas radiações das powerstones enfraqueciam o sistema imunológico humano, levando ao mortal mal de que sofria Glacian, Gix e incontáveis outros. Yawgmoth compartilhou essa revelação com Rebbec, Glacian e Gix.

Rebbec estava temerosa. Glacian era só acusações. Yawgmoth estava enraivecido. Gix simplesmente gargalhou. Yawgmoth revelou que devido ao fato de as Cavernas dos Condenados ficarem diretamente sob Halcyon a maior parte da radiação proveniente das powerstones era direcionada para lá. Essa era a razão da phthisis atacar principalmente sua população. Dias depois se descobriu que um furioso Gix havia desaparecido.

Yawgmoth e Rebbec compartilharam suas descobertas com o conselho legislativo de Halcyon. Dizer que eles foram ultrajados seria bastante inadequado. O curandeiro de leprosos que havia sido exilado de sua bela cidade que tinha a coragem de retornar e fazer especulações inúteis sobre sua recém-descoberta fonte de energia podia fazer com que eles perdessem a credibilidade com a população. Glacian sugeriu que uma votação fosse feita para decidir sobre um novo exílio para Yawgmoth.

Yawgmoth permaneceu calmo. Ele requisitou um grupo de curandeiros e estudantes para o futuro estudo da phthisis. Os Thran votaram e Yawgmoth conseguiu o que requisitava. Mas não foi tão fácil assim, se a pesquisa de Yawgmoth não mostrasse resultados, ele seria banido novamente. Dias depois os curandeiros de Yawgmoth haviam desenvolvido um possível tratamento para a doença. Mesmo que o tratamento não curasse a phthisis, ele ao menos prevenia que ela se espalhasse. Mas a pesquisa deles teria que esperar.

Uma rebelião havia começado. Gix havia retornado com uma horda dos Malditos, todos jurando destruir Halcyon por seus crimes contra eles. Os guardas de Halcyon tentaram conter os Malditos com pouco sucesso. Yawgmoth encarou isso como uma oportunidade velada. Ele capturou um rebelde para testar se o novo tratamento iria funcionar. Os curandeiros ficaram surpresos com os resultados. O tratamento não apenas parou a doença, mas também começou a revertê-la. O rebelde capturado não havia sido curado, mas ele estava em condições melhores do que havia estado em muitos anos. Entretanto, o enfermo não teve oportunidade de agradecer Yawgmoth. A futura divindade o assassinou logo após o tratamento ser administrado.

Yawgmoth pegou uma liteira voadora e foi ao Templo Thran, onde encontrou Rebbec, uma horda de outros sob ataque de Gix e seus fiéis rebeldes. Yawgmoth prometeu a Gix o tratamento se ele parasse o ataque. Após Gix injetar o soro em si mesmo e perceber os resultados favoráveis, ele concordou com a barganha de Yawgmoth.

Yawgmoth foi imediatamente elevado à posição de herói local. Ele havia encontrado o tratamento para a doença que estava arruinando os Thran. Ele havia parado a rebelião dos Malditos. E trabalhou para encontrar a cura não apenas para a população Thran, mas também para os, um dia odiados, Malditos. A cidade inteira o acolheu em seus corações. Ele iria se banquetear com esses corações, um por um. O tratamento estava sendo administrado para todos os enfermos, tanto Thran quanto Malditos.

Glacian, que já estava severamente deteriorado pela doença, mal era afetado pelo tratamento. A doença havia começado a afetar a mente de Glacian, para a tristeza de sua mulher. Rebbec era cada vez mais repelida pelos braços de seu amado e empurrada para os braços de Yawgmoth. Porém nos anos que se passaram Yawgmoth não foi capaz (provavelmente não quis) de encontrar a cura. O tratamento administrado aos enfermos se tornava cada vez mais ineficaz. A maioria dos curandeiros da cidade estava sob o controle de Yawgmoth. Milhares de Thran eram mandados para a Caverna da Quarentena para serem curadas. Apenas algumas centenas podiam, depois, sair.

Durante uma refeição noturna com Rebbec, o arrasado Glacian confrontou Yawgmoth. A mente de Glacian parecia estar dividida ao meio, parcialmente devido à phthisis, parcialmente devido à sua própria genialidade. Ele revelou seus planos de abrir portais para novos mundos, mundos infinitos que estavam dormentes dentro de cada powerstone carregada. A ideia era completamente ridícula, mas também parecia completamente genuína.

Yawgmoth teve pouco tempo para ponderar o significado dessa descoberta antes de Glacian novamente interromper sua refeição com essa descoberta, sem saber que acabava de ter feito isso momentos antes. Rebbec ficava cada vez mais preocupada com a saúde de seu marido, e Yawgmoth ficava cada vez mais preocupado com Rebbec. No entanto, meses mais tarde, Rebbec se sentia pronta para dar-se voluntariamente para Yawgmoth. Mas o jogo estava terminando rápido demais. A única preocupação genuína que Yawgmoth tinha era com si próprio.

Depois de retornar de uma viagem à Jamuraa, Yawgmoth é informado pelo conselho de Halcion de que os enfermos da Caverna da Quarentena estavam escapando. Insatisfeito com a falta de resultados dos tratamentos de Yawgmoth, eles haviam deixado as cavernas e poderiam infectar outros Thran com a phthisis. À Yawgmoth foi dado o controle de um esquadrão de guardas de Halcion para parar essas fugas de qualquer maneira. O curandeiro adorou matar os enfermos.

Um dia, tudo mudou. Yawgmoth começou sua longa viagem, saindo de seu estado mortal para o de uma divindade. Ao inspecionar a forma doente de Glacian, Yawgmoth percebeu que uma espécie de feiticeiro estava visitando o gênio. Yawgmoth encontrou uma mulher com imenso poder conversando com o enfermo Glacian. Essa mulher, Dyfed, declarou abertamente ser uma planinauta, alguém que podia manejar a magia como se fosse um deus.

Yawgmoth não acreditou, para aborrecimento de Dyfed. A deusa levou Yawgmoth para o distante plano de Pyrulea para mostrar a ele que falava a verdade. As coisas não podiam estar melhores para Yawgmoth. Ele havia conseguido a lealdade de uma cidade inteira. Logo, ele buscaria controle sobre toda a existência.

“Eu não sou… um humano normal.”

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