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Grimório – Tomo IX

Escrito por Vigia em 05/16/2009

Grimório

“Quando você olha para o abismo, o abismo também olha para você”.

- Nietzsche

Lidando com Inimigos & Antagonistas

Para o maior tormento dos mestres incautos, não existe uma formula para o sucesso de uma campanha, no entanto existe um componente fundamental para qualquer campanha que almeje caminhar por meses a fio. São os  adversários que das mais variadas formas irão azucrinar e tirar o sono dos jogadores, pois “todo herói precisa de um vilão”. O mestre deve ter em mente a profundidade e atenção que dará aos oponentes de seus jogadores, isso deve variar quanto o modesto grupo de kobolds que saqueiam uma região ao arquimago liche com milênios de existência que deseja transformar todos os habitantes do reino em mortos-vivos.

Um vilão charmoso ou odiado será por si só um desafio que irá assombrar e motivar boa parte das ações que movimentam a estória. É claro que um inimigo que aparece com muita freqüência pode se tornar monótono, caindo no complexo de Esqueleto (inimigo do He-man), que se torna previsível, pois você sabe que tudo que ocorre de ruim vem de uma única fonte.

O inimigo não precisa ser uma criatura ou pessoa maligna, esta é uma formula batida (mas funcional), ele pode ter uma relação intima com o personagem como no caso de um rival. A formula do rival  funciona  quando existe alguém que nutri uma inveja ou simplesmente concorre com os PC’s por fama, dinheiro ou pela mão da amada, não precisa ser uma pessoa egoísta ou mal intencionada, ele é só tão bom, ou melhor, que você e fará de tudo para provar isso.

Outro antagonista interessante é aquele que é estrangeiro ou estranho ao protagonista, entenda isso como uma questão de xenofobia que extrapola o puro racismo, não tem a ver só com a cor da pele, mas é fundamentada por alguma crença ou antigas disputas étnicas e territoriais. Esta hostilidade nascida do preconceito pode ser baseada em uma visão estereotipada e pela ignorância, algo do tipo “Todo elfo negro é indigno de confiança!”, “Ele é nosso inimigo, ele é um Capuleto!” etc., etc.

Esse tipo de preconceito pode ser uma serpente astejando dentro do próprio grupo de jogo, este tagonismo e desconfiança pode ir sendo desmistificado ao longo da campanha quando sentimentos de amizade e confiança  vão se formando. Isso pode acarretar em disputas sem propósito justo com inimigos que não necessariamente são malignos, mas que carregam esse tipo de estigma, o que pode fazer com que um grupo de heróis intolerantes acabe se tornando em outra perspectiva os monstros e vilões que combatem.

O clássico do cinema “Inimigo Meu” retrata como no futuro distante os desbravadores humanos  encontram a raça alienígena dos drak’s, que sob sua ótica tiveram sua galáxia invadida pela raça humana, conseqüentemente os dois lados declaram uma guerra sem sentido. Como  mostra o filme os náufragos espaciais, o humano David e o alienígena Drako, têm que por suas diferenças de lado para poderem sobreviver em um mundo hostil.  Esse artifício quando usando em um grupo que entenda a proposta  será gratificado pelo teor dramático, pois as estratégias de equilibrar os rancores  entre PC’s e NPC’s  nesse tipo de contexto pode se desdobrar em interpretações memoráveis.

Algo que sempre me parece estranho é  a idéia de que durante uma campanha todos os vilões estejam mancomunados para tornar a vida dos PC’s um inferno, quando os inimigos surgem um em seqüência do outro cada vez mais poderosos e de forma linear isso me soa tanto previsível como enfadonho. Múltiplos oponentes podem ter objetivos independentes ou mesmo serem concorrentes entre si, então quando os PC’s se vêm às voltas com um desafio que não podem vencer sozinhos forjar uma aliança pode ser a única alternativa, afinal “o inimigo do meu inimigo é meu amigo”.

Senhores mestres sempre contem com o inesperado. Muitas vezes as situações narradas fogem a qualquer previsão, um inimigo especialmente preparado para despertar o interesse e o ódio dos jogadores pode não ser convincente, ainda pior, pode acabar morto com um acerto crítico logo de cara. Isso são ossos do oficio, mas ainda não se desespere.

Também existe o outro lado da moeda quando um NPC do último escalão, tipo capanga-sem-cérebro, pode acabar roubando a cena sendo isso ou não um golpe de sorte aproveite. Improvise e aproveite o gancho, depois prepare uma nova ficha apropriada para o mais novo grande vilão da trama. Isso já me aconteceu em várias ocasiões, em minha mesa de GURPS Supers um tal de “Eskeleton” durante um combate após escapar da morte certa, fez fama e tornou-se uma lenda perdurando como um de meus vilões mais odiado e temido.

Na próxima sexta-feira: Que rolem os dados!

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