
Saudações sobreviventes da ZBC! Vamos relembrar o RPG ‘Vampiro: A Máscara’ (V:AM). Foi lançado no ano de 1991 pela editora White Wolf, fundada na mesma década de sua primeira publicação. O jogo foi idealizado por Mark Rein•Hagen.
A White Wolf
White Wolf Game Studio é uma empresa fundada por Stewart Wieck, seu nome deriva de um dos apelidos de Elric de Melniboné, o protagonista dos livros de fantasia de Michael Morcook. A editora contou com um inicio bastante humilde. Iniciaram com o fanzine ‘Arcanum’, um fanzine com tiragem de 30 exemplares em junho de 1986. Em agosto desse mesmo ano mudam o nome para White Wolf. O número de cópias se multiplicou assombrosamente devido ao êxito; tanto é assim, que seu número 8 já contava com 10.000 exemplares. Para então, seu nome ser alterado para White Wolf Magazine.
Para muitos, o conceito de fanzine é obsoleto, mas vender dez mil cópias de uma revista sobre RPG é um grande feito. A WWMagazine se colocou entre os primeiros do gênero, mas faltava criar um jogo de RPG próprio. Por outro lado, existia uma pequena editora que havia lançado um jogo de temática e sistema originais. A Lion Rampant era esta editora, e seu jogo era Ars Mágica. Nele se interpretavam homens capazes de criar maravilhas com sua própria força de vontade, na Europa Mítica onde todas as lendas e criaturas mágicas eram realidade, mas ocultas do mundo mundano. O sistema de jogo foi uma revolução, tanto que até hoje é considerado o mais simples e eficaz.
Ars Mágica era obra de Jonathan Tweet, em sua mecânica, e de Mark Rein•Hagen, com suas idéias criativas. Desde o primeiro momento, o fanzine White Wolf Magazine o cobriu em extensos e numerosos artigos; em 1990, aproveitando certos problemas da Lion Rampant e a saída de Tweet (que foi para a Wizards of the Coast), ambas as editoras se fundem e estabelecem o nome White Wolf (WW).
É um erro comum acreditar de o primeiro RPG da WW foi Ars Mágica, mas podemos comprovar na primeira e segunda edição o nome da editora Lion Rampant. A terceira (considerada maldita por seus seguidores) foi a primeira lançada pela WW. Depois disto, passaria para outras mãos, falaremos de Ars Mágica no futuro. Assim, em 1990 entrava na White Wolf um escritor chamado Mark Rein•Hagen, famoso pelo jogo supracitado e que um ano depois voltaria a revolucionar o mercado.

A Primeira Máscara
Rein•Hagen tinha muitas idéias na cabeça. Depois Ars Mágica, pretendia criar um jogo com ambientação nos tempos atuais, um jogo de magos modernos; também tinha certas idéias sobre um jogo de fantasia dividido em distintas ambientações conectadas entre si; uma terceira idéia tratava de algo que queria chamar de Inferno – onde se interpretava os mortos no Purgatório, mas dizem que a única copia deste RPG foi acidentalmente destruído num incêndio e que por isso não foi lançado. Destas idéias, saiu Vampiro: A Máscara.
O livro apresentava uma evocadora capa com uma rosa, o ankh e o mármore verde, cuja ambientação era escura, gótica, e bastante atenta ao mercado de RPG da época. Apesar de haver algumas coincidências com os romances de Anne Rice, o RPG se centrava mais nas lutas de poder, política e conflitos entre os clãs. Com uma ambientação sólida do que chamaram de punk-gótico. Traduzindo: atmosfera pessimista, catastrófica e trágica. Seres sem alma que lutam pelo poder e consigo mesmo, uma vez que a Besta clama de seus interiores.
Como Jonathan Tweet, estava em outra editora, Rein•Hagen contou com Tom Dowd para construir um sistema de jogo rápido e simples que complementara a idéia do Storyteller System, o Sistema Narrativo. Daí nasceu o sistema que permaneceu praticamente inalterado até o fim do antigo Mundo das Trevas. O primeiro V:AM não era muito diferente do que acabou sendo a terceira edição. Os vampiros continuavam dividindo-se em clãs, mas eram apenas sete clãs.
Também temos os Caitiff, vampiros bastardos sem clãs, e se cita em algumas linhas outros clãs, como os clãs do Sabbat, os temidos assassinos Assamitas, a família mercenária Giovanni, os repugnantes Seguidores de Set e os libertinos Ravnos. No jogo se introduzem outras idéias como o Sabbat, o Arcanum, a Inquisição, lupinos, magos, etc. Mas os deixam como um mistério a partir do qual se pode desenvolver historias. Quanto as disciplinas, a grande maioria é tal como estão na terceira edição, a exceção de alguns poderes específicos e, claro estas disciplinas pertencem a clãs que não aparecem no jogo.

Desde o primeiro momento, um dos temas centrais do jogo é a Gehenna, o fim do mundo. O apocalipse dos vampiros. Está perto. Todas as profecias falam dele e todos temem sua chegada, cada vez mais certa. Talvez a Jihad seja um modo para que os Antediluvianos ascendam e se salvem dela, e por ela lutam, manejando seus descendentes como peças de uma grande xadrez. Ou talvez seja apenas um meio de distraí-los do fim do mundo inevitável. Seja lá qual seja a resposta, nenhuma delas é agradável, igual ao resto deste escuro mundo. Ressalto que Vampiro: A Máscara ganhou o prêmio Origins em 1991 ao melhor sistema de regras do jogo de RPG.
Vampiro: A Máscara
Vale dizer que a terceira edição é mais uma segunda edição revisada, algo como D&D 3ª e 3.5. Algumas mecânicas e elementos de Metaplot, foram alterados, entretanto, o jogo em si continuou igual. A segunda edição acrescentou mudanças significativas em relação a primeira. O universo de Vampiro se havia expandido enormemente. O Sabbat deixava de ser algo tão secreto, assim como surgiram numerosos suplementos, dos quais vale citar os mais interessantes:
Devido a seu enorme impacto no mundo do RPG, uma serie de ambientações tipo spin off saíram do jogo original.
Todos estes suplementos usavam o mesmo sistema de regras do Mundo das Trevas e estavam integrados dentro do Metaplot. A partir de Vampiro: A Máscara saíram diferentes linhas do Mundo das Trevas, além de cardgames, videogames, e até uma série de televisão.

Na próxima edição falarei sobre ‘Lobisomem: O Apocalipse’, ou talvez sobre o Novo WoD, ou quem sabe eu resenhe Ars Mágica. Nunca se sabe… E que rolem os dados!
muito bom este jogo
I want to be a vamp. with magic? I want magic? I is your help to me … I do not get! Please … nostalgia is crazy. … bj