Saudações sobreviventes da ZBC!
Hoje vou iniciar uma série de postagens dedicadas a resenhar um dos RPGs mais populares no Brasil. Faz quase 20 anos que foi publicado Vampiro: A Máscara, o primeiro dos jogos e a pedra angular sobre o qual se sustentou todo o Mundo das Trevas – obra de Mark Rein•Hagen. Depois disto, saiu outras linhas paralelas de jogos de RPG ambientados no mesmo mundo, assim como outra linha de jogos similares, mas ambientados na Idade Média; além de jogos de cartas, jogos de computador e inclusive uma serie de televisão. Longe de envelhecer, esta franquia foi reinventada em 2004, onde todo seu universo foi redesenhado juntamente com o sistema de jogo, voltando a colocar-se na primeira fila dos jogos de RPGs atuais.
O que é o Mundo das Trevas?
No inicio, o Mundo das Trevas / World of Darkness (MdT/ WoD) não era mais do que uma denominação que recebia o mundo que servia como cenário de Vampiro: A Máscara. Um mundo que era um reflexo distorcido do nosso mundo atual, mudado de maneira sutil com algo que foi chamado pelo autor de punk-gótico.
O punk-gótico era uma estética, uma forma de olhar a realidade por um prisma de pessimismo, obscuridade e niilismo. As cidades são mais perigosas e mais escuras. Os edifícios são mais elevados e as ruas mais estreitas. As pessoas são mais desconfiadas, suas vidas são mais desesperadas e deprimentes. E, entre toda esta sensação de perda e desesperança, entre as sombras, ocultas dos olhos da população mundana, estranhas criaturas, animais predadores de corpos e almas se movem silenciosamente com seus planos malvados. Monstros sem alma, homens-bestas e bruxos, todos tem um denominador comum: eles sabem a verdade do mundo, a aterradora verdade que permanece oculta aos demais. E têm que conviver com ela, evitando converter-se em bestas sem razão, lutando contra si mesmo a cada noite.
Vampiro: A Máscara foi o primeiro, mas não foi o único dos jogos de RPGs ambientados no Mundo das Trevas. Durante treze anos, dez ambientações paralelas surgiram, no entanto, as três mais conhecidas são:
Estas três ambientações têm uma linha argumental, chamada de Metaplot, que foi avançando à medida que os anos passavam em seguintes suplementos. Isto começou a adotar-se na Segunda Edição e a afirmar-se na última edição…
A Primeira Edição
A primeira edição estava assentada sobre o Storyteller System, o sistema narrativo, que dava mais ênfase a interpretação de personagem do que nas rolagens de dados. Isto foi um fato marcante que modificou a forma de pensar em RPGs na época. Anos mais tarde, surgiu o livro Mind’s Eye Theatre, o primeiro e completo sistema de regras para jogar RPG ao vivo.
Na primeira edição, logicamente mais amadora e com menos pressupostos, apresentava uma cosmologia e metaplot mais simples o que mais tarde foi se desenvolvendo em diversas ambientações e que sofreu diversas alterações até ser aperfeiçoadas em sua reinvenção em 2004 com o Novo Mundo das Trevas.

O Storyteller System baseia suas regras em jogadas de d10s. O personagem tem diversas características com pontuações variáveis; o valor da pontuação é o número de dados de 10 lados que se lançam em um teste. Habitualmente, a jogada é Atributo + Habilidade. Estabelecia-se uma dificuldade, dependendo da complexidade da tarefa, geralmente entre 6 e 8, podendo ter valores maiores ou menores. Todos os dados que obtivessem valores maiores que a dificuldade são considerados sucessos. Todos os dados que obtivessem um 1, se consideram falhas. Descontam-se por fim as ‘falhas’ dos ‘sucessos’, o resultado de êxito será a quantidade de dados de sucesso que sobrar e às vezes se necessitam de um número mínimo deles. Se sobrar mais dados de falha do que de sucessos, se considera falha critica com penalidades maiores do que apenas uma falha no teste.
O sistema era simples e intuitivo. No entanto, pecava muito quando se tratava de testes de combate. O autor, Rein•Hagen, foi co-criador do RPG, o Ars Mágica, e para Vampiro ele decantou em algo mais resumido que deu valor a narração e não aos testes. Lembro de tempos de Lobisomem em que se jogavam uns 30 dados num simples teste de combate contra um guarda de trânsito, mas ainda assim pode-se falhar, sendo derrotado por um humano comum, o que convenhamos, não faz sentido algum.
Segunda Edição
Aproveitando o auge da estética punk-gótica, Vampiro: A Máscara se converteu em um jogo Cult (leia a opinião do leitor). Poderia se encontrar grupos adolescentes vestidos com roupas escuras, com adornos e cruzes, sentados ao redor de livros e fichas de personagem. E tal comportamento causou alguns problemas, mas deixamos isso para outra oportunidade. A segunda edição do MdT deu lugar para novas linhas de jogo:

Além destes novos jogos, as linhas anteriores sofreram modificações em suas ambientações. Em Vampiro, apareceram mais clãs e linhas de sangue (ou clãs menores). Abriu-se a possibilidade, em todas as linhas de jogo de se interpretar os maus. O Sabbat, os vampiros selvagens e monstruosos, e a Wyrm, a força destruidora e corruptora do mundo. Entretanto, seria apenas na terceira edição, chamada de edição revisada, que o metaplot começou a mesclar-se de forma geral entre os diferentes jogos do MdT, deixando-o cada vez mais complexo.
Terceira Edição
Novamente, testemunhamos o nascimento de novos jogos. Os jogos que surgiram foram:

Na terceira edição podemos notar que a sensação de Fim do Mundo se foi convertendo em uma certeza. Tormentas de almas no Inframundo chamadas de Maelstroms, o despertar dos Caçadores, o Tempo de Sangue Fraco em que os vampiros mais jovens começam a perder grande parte de seu poder. E a Estrela Vermelha visível desde a Umbra.
A partir do ano de 1996, a editora propõe um titulo sobre o qual rodou o Metaplot principal de todas as linhas. Em 1996 saiu o jogo chamado de Caçadores Caçados, em 1999 foi o ano de publicação da Vingança (Hunter: The Reckoning). Em 2001 foi o ano do escaravelho (Múmia: A Ressurreição); em 2002, foi o ano dos condenados (Demônio: A Queda). Por último, em 2004, apareceu o Time of Jugdement, onde a editora termina todas as linhas do MdT.
A terceira edição consolidou a fama do Mundo das Trevas. Incontáveis módulos, suplementos e novelas, sem contar as inúmeras páginas de fã na internet. Além das linhas descritas, vale mencionar a Orpheus, um jogo independente do metaplot original de MdT, mas que ao mesmo tempo se comunica com ele. Concebido como uma serie fechada de livros em que se pode interpretar fantasmas de pessoas mortas recentemente ou formas astrais de gente capaz de abandonar seu corpo voluntariamente. Foi lançado em 2003, não foi um jogo popular, mas gerou grande curiosidade tempos depois do lançamento.
Talvez se possa acusar o jogo de elitista, mas o MdT serviu também com iniciação de tantos outros novatos, criando um novo tipo de jogadores: roleplayers, jogadores mais voltados para o sistema narrativo, claro que alguns desses jogadores são obtusos e inflexíveis, criando problemas que em nada tem haver com o RPG. No geral o MdT marcou uma nova Era de pensar e fazer RPGs. Nas próximas edições, falarei sobre os spin-offs, talvez sobre o Novo WoD, ou quem sabe eu resenhe cada um dos jogos básicos do velho e bom Mundo das Trevas.
E que rolem os dados!
Eu diria que foi uma bela recapitulada sobre mundo das trevas, muito bom adorei! Abração! \õ_