
Como disse na postagem sobre “Para onde vai o RPG?“, reafirmo que o mesmo não precisa de uma industria por trás para sobreviver já que o mesmo alimenta-se de seus entusiastas. Pelo menos essa é a minha teoria. No entanto, não podemos negar que ter uma boa indústria de RPG é algo bom, já que, com uma industria forte, teremos uma rede de lojas especializadas, editoras em tempo integral disponibilizando material para os distribuidores do mundo inteiro, e acima de tudo, mais visibilidade ao hobby e novas pessoas aderindo ao jogo.
Recentemente, recebi um email de um rpgista que contou que por diversos motivos teve que parar de jogar e depois de alguns anos, casado e com dois filhos, encontrou sua velha caixa do D&D. E agora ele está brincando com seu filho de sete anos, ensinando-o a esmagar alguns orcs. E este rpgista teria procurado um RPG feito por fãs? Provavelmente, não! O investimento feito pela Devir para colocar nas lojas, por exemplo, o GURPS 4ª edição, não pode ser simplesmente ignorado e desconsiderado a partir de um pedestal dos rpgistas ditos puristas: “não gosto de RPG traduzido, a tradução da Devir é uma merda, querem jogar RPG que aprendam inglês…”
São essas posturas que não ajudam em nada. Temos um mercado fraco, por que consumimos pouco, simples. Que empresa vai se arriscar a colocar um RPG obscuro no Brasil, se nem mesmo os campeões de vendas tem sucesso aqui? Não adianta azucrinar, chorar e reclamar muito no twitter! A lógica de mercado não obedece à lógica de nossas mesas. E, para surpresa de alguns desinformados, os rpgistas não são poucos, mas somos irrelevantes no mercado. Quantas editoras de RPG fecharam no Brasil? Quantas editoras brasileiras tem em seu catalogo RPGs? Quantos RPGs nacionais são sucesso de vendas?
E isso é algo que se estende mundo a fora. A Kauffman Foundation encerrou suas atividades, não é uma editora, mas é uma loja com sete anos de experiência. Por uma questão de má sorte, não sobreviveu a crise, e é uma pena. E este não é o único exemplo que temos. Os últimos anos, foram marcados pelo declínio no cenário editorial de RPGs, fato abrandado pelo D&D 4E. Mas quando o RPG que melhor vende, não vende bem, então algo não está certo.

A questão do fechamento de lojas e a letargia dos editores é importante para o que eu disse: os fãs são poucos e aqueles que compram são menos ainda. As editoras alimentam um pequeno grupo (função) dentro de um pequeno nicho (editorial). Então ao criticar a editora ou a tradução, ou mandar alguém aprender inglês, por que jogar em inglês é legal (é o que diz a classe média imbecilóide); saiba que você está fazendo com que menos pessoas comprem as versões nacionais dos RPGs, e assim inicia-se a engrenagem que se retroalimenta.
O RPG não morrerá, todo mundo vai continuar jogando de uma forma ou de outra. Mas a industria não é indestrutível! Talvez agora seja o momento para que as editoras pensem numa forma de obter lucro e satisfazer o seu consumidor, somos irrelevantes numa lógica de mercado quantitativo, mas somos muitos qualitativamente, já que não consumimos apenas o livro de jogo, e sim os suplementos, romances, jogos de computador, cartas colecionáveis, histórias em quadrinhos, etc.
E você o que pensa sobre o mercado de RPG?