Historia: Memórias não Existentes
- Estou aqui para responder suas perguntas, Assassino do Destino. Se você me terminar não vai tê-las e nunca poderá encontra a Intérprete da Condolência. (Do dialogo do Mago Sincrético com o Assassino do Destino)
Cena Um: Despertar
Acordei como que escapando de um pesadelo, apesar de não me lembrar de nenhum detalhe tenho certeza que foi da coisa mais assustadora de minha vida, pelo menos que eu me lembre até agora. Olho ao redor à medida que meus olhos se acostumam com a escuridão; vejo um feixe de luz da lua cheia atravessando uma janela.
Tento me levantar e é só neste momento que percebo que algo ou alguém sobre mim, já que o peso que havia sentido era o de uma fina colcha. Olhando do final da cama para cima vejo pequenas e delicadas palmas de pés, subindo por pernas de igual delicadeza, coberta com uma pele branca que à luz da lua reluz como mármore, não há falhas nos tornozelos, nas panturrilhas, nas coxas, realmente tenho a impressão de estar olhando para uma estatua esculpida com perfeição, se não fosse à falta de peso.
Os cabelos de um tom de bronze como as folhas de outono, chego a sua face, seus lábios contrastando com o restante do corpo de um vermelho vivo, cor de sangue. Quando chego aos seus olhos amendoados grandes dominadores, verdes e escuros como as profundezas do oceano. Antes que possa falar ou fazer qualquer ação sinto um dor lancinante no olho direito como que se uma faca em chama o perfura-se de dentro para fora.
Quando me recupero do choque ainda sem enxergar com o olho direito, vejo que ela agora esta próxima à janela se banhando no luar, com exceção de seus cabelos, cílios e sobrancelhas ela não possui nenhum pelo no corpo. Ali de pé iluminada somente pela luz prateada da lua, ela é a personificação da beleza física, ela olha para mim com seus olhos profundos, seus lábios fendem levemente em um sorriso e nesta hora eu percebo que, mesmo não sabendo o que, fiz algo de muito ruim para esse ser de graça absoluta, e devo algo a ela embora não saiba o que é, antes que eu possa falar ela desaparece como se levada pela brisa noturna.
Corro em direção à janela, mas é tarde demais, então me dou conta de que não sei onde estou, o que estou fazendo, quem é ela e principalmente quem sou eu. Procuro ao redor e a única coisa que vejo são coisas que não me lembro de conhecer, nem mesmo as roupas que visto, procuro nos bolsos não existem documentos, na cômoda, nas estantes, nas outras roupas que estavam jogadas no chão, a única pista que encontrei foi uma arma, um revolver. Será que é meu?
Quando pego ele, percebo uma destreza incrível, apesar de não saber informações técnicas da arma, com certeza sei usá-la. Neste momento como se um sexto sentido prevejo alguém abrindo a porta, antes que eu me de conta estou de tocaia próximo a porta, usando uma pequena estante. A porta se abre e entra uma pessoa, sinto instintivamente que ela esta apreensiva, mas de algum modo sei que ele não oferece ameaça apesar de estar atrás de mim, neste momento meu olho arde e neste intervalo ele já esta sobre minha mira, e pela minha cabeça passa um único pensamento, espero achá-la.